A maioria das pinturas contém áreas obviamente "claras" ou "escuras" em comparação com o esquema geral das cores. Mas, quando o contraste tonal é forte, os claros ficam ainda mais suaves e os escuros mais profundos, até o ponto em que se torna fácil perder a noção de suas cores e vê-los apenas como tons.
Os tons claros e escuros possuem uma "identidade de cor" tão significativa quanto a das misturas mais ricas do centro do espectro tonal. Podem ser quentes e dar a impressão de projetar-se ou, ai contrário, ser frios e recuar em relação ao plano. Aproveite essas características para dar a seus quadros uma sensação de espaço e profundidade.
Conheça as misturas:
Preparar tons claros e escuros não é só uma questão de adicionar branco ou preto - que têm grande poder de esfriar quaisquer misturas. Considere, quando processar as suas, outros fatores, como a transparência, o brilho e o poder de colocação de cada um dos tubos de cor usados.
A percepção dos escuros:
Quando você olha para uma cena, as áreas escuras revelam-se as mais fáceis de identificar inicialmente, mas as cores escuras são, na verdade, as mais difíceis de analisar. Isso ocorre porque os cones do olho (minúsculos botões embaixo da retina, com os quais percebemos as cores) funcionam pior quando as cores estão na sombra. Portanto, você precisa fazer um esforço extra para percebê-las.
Ao pintar, tente captar toda a luz contida nas áreas escuras. Procure deixar as sombras profundas bem transparentes (verde-esmeralda, azul-ftalo e carmim-alizarin têm transparência naturalmente alta), para que a luz seja refletida pela tela. Essa é a maneira clássica de tornar as sombras mais luminosas.
Observe como os tons escuros profundos tendem a ser quentes. Isso acontece porque o escuro mais profundo - a mistura mais próxima do preto que você conseguir preparar - é composto pelas três cores primárias (uma fria e duas quentes).
Como manejar o preto:
o negro-marfim é usado para escurecer alguns tons escuros; mas em misturas ele funciona como um azul de baixo tom, esfriando a cor. Se você acrescentar preto ou azul, a mistura escurecerá e continuará fria. Por outro lado, juntando-o ao amarelo, você obterá um verde frio. Lembre-se também de que a mistura de preto e branco não resulta num cinza, e sim num azul-acizentado.
Como clarear os escuros:
Tons muito escuros tendem a dar impressão de achatamento; se forem clareados um pouco, ficarão mais interessantes e luminosos, especialmente quando contrastado com áreas mais claras. Assim, você não precisa pintar os tons escuros exatamente como são na realidade; altere seu tom de leve para melhorar o resultado final da pintura.
Tenha cuidado quando a simplesmente acrescentar branco para clarear as cores escuras, pois ele pode torná-las frias e sem vida. Ao invés de branco, experimente uma cor da mesma família, que terá o efeito de clarear sem esfriar.
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Misturas de escuros
Tiago Lisboa
Quase todas as misturas de duas cores escuras - uma fria e outra quente - produzem um interessante toque escuro. Abaixo alguns exemplos de misturas que você pode fazer:
Nessa percepção da temperatura de uma cor varia, conforme a examinemos à luz ou à sombra. Na sombra, uma cor quente fica mais fria e apresenta um toque de sua cor complementar. O carmim escuro, por exemplo, pode mostrar um toque amarelo-esverdeado. Da mesma forma, uma cor fria pode tornar-se mais quente.
Esse fenômeno é conhecido como "inversão térmica". Use-o em seus trabalhos, acrescentando alguns toques das cores complementares, para dar vida aos tons escuros.
- Terra-de-siena queimado e azul-ftalo ou azul-ultramar
- Terra-de-siena queimado, verde esmeralda e terra-de-sombra queimado
- Carmim-alizarin e azul-ultramar ou azul-ftalo
- Negro-marfim, terra-de-sombra queimado ou natural, terra-de-siena queimado e terra-de-siena natural. (Para que essa mistura tenha uma "identidade de cor" mais acentuada, você pode misturar azul-ftalo, azul-ultramar ou verde-esmeralda com o negro.)
- Vermelho-cádmio e ver-permanente claro (fornece um tom escuro mais luminoso e vivo).
- Vermelho-cádmio e verde-esmeralda.
Nessa percepção da temperatura de uma cor varia, conforme a examinemos à luz ou à sombra. Na sombra, uma cor quente fica mais fria e apresenta um toque de sua cor complementar. O carmim escuro, por exemplo, pode mostrar um toque amarelo-esverdeado. Da mesma forma, uma cor fria pode tornar-se mais quente.
Esse fenômeno é conhecido como "inversão térmica". Use-o em seus trabalhos, acrescentando alguns toques das cores complementares, para dar vida aos tons escuros.
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